top of page

PSICOFÁRMACOS: MITOS X VERDADES

  • Foto do escritor: Caroline Andreazza
    Caroline Andreazza
  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura

Os psicofármacos ainda são cercados por medo, estigmas e informações equivocadas. Parte disso vem de experiências isoladas, parte de desinformação e parte do próprio preconceito histórico em relação à saúde mental.


Neste texto, esclareço alguns dos principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos psiquiátricos.


Mito 1: “Psicofármacos viciam”


Parcialmente falso.


A maioria dos medicamentos psiquiátricos não causa dependência química. Antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos não provocam “vício” no sentido clássico.


Algumas medicações específicas, como certos benzodiazepínicos, podem causar dependência se usadas de forma inadequada, por tempo prolongado e sem acompanhamento médico. Por isso, seu uso deve ser criterioso e monitorado.


👉 Dependência não é regra — é risco quando há mau uso.


Verdade 1: Psicofármacos atuam no cérebro


Isso é verdade — e não deveria ser um problema.


Assim como medicamentos para pressão atuam no sistema cardiovascular, os psicofármacos atuam em neurotransmissores e circuitos cerebrais relacionados ao humor, atenção, ansiedade e comportamento.


O cérebro é um órgão. Tratar o cérebro não é diferente de tratar qualquer outro sistema do corpo.


********


Mito 2: “Quem toma remédio fica dopado ou sem personalidade”


Falso.


Quando bem indicados e ajustados, os psicofármacos não anulam a personalidade da pessoa. O objetivo do tratamento é justamente o oposto: permitir que o indivíduo funcione melhor, com menos sofrimento.


Sentir-se excessivamente sedado ou “anestesiado” pode indicar:

• Dose inadequada

• Medicação mal escolhida

• Necessidade de ajuste


👉 Esses efeitos não devem ser normalizados e precisam ser reavaliados pelo psiquiatra.


********


Verdade 2: Nem todo sofrimento precisa de medicação


Isso é verdade — e importante.


A psiquiatria não se resume a prescrever remédios. Há sofrimentos que se beneficiam mais de psicoterapia, mudanças de contexto, intervenções psicossociais ou acompanhamento sem medicação.


O uso de psicofármacos é indicado quando:

• Há prejuízo funcional significativo

• O sofrimento é persistente

• Outras abordagens não foram suficientes

• O risco clínico é relevante


********


Mito 3: “Tomar remédio é sinal de fraqueza”


Falso.


Buscar tratamento é um ato de responsabilidade e cuidado consigo mesmo. Transtornos mentais não são falhas de caráter, falta de força de vontade ou preguiça.


Ninguém diz que uma pessoa com asma é fraca por usar medicação. O mesmo vale para transtornos psiquiátricos.


********


Verdade 3: O tratamento não é igual para todo mundo


Cada paciente é único.


A escolha do medicamento considera:

• Diagnóstico

• Idade

• Histórico clínico

• Outros tratamentos em uso

• Estilo de vida

• Resposta individual


Por isso, comparar tratamentos ou “copiar” a medicação de outra pessoa é inadequado e perigoso.


********


Mito 4: “Depois que começa, nunca mais pode parar”


Falso.


Muitos tratamentos são temporários. Outros podem ser de longo prazo, dependendo do transtorno, da recorrência dos sintomas e da história clínica.


A decisão de manter ou suspender uma medicação deve ser feita de forma planejada e acompanhada, nunca de forma abrupta.


********


Verdade 4: Psicofármacos não substituem psicoterapia


Eles podem aliviar sintomas, mas não resolvem conflitos emocionais, padrões relacionais ou questões existenciais sozinhos.


Em muitos casos, a melhor abordagem é a combinação de:

• Medicação

• Psicoterapia

• Mudanças no estilo de vida


********


Considerações finais


Psicofármacos são ferramentas terapêuticas importantes, quando bem indicadas. Eles não definem quem a pessoa é, não apagam sentimentos e não devem ser vistos como última opção ou como solução mágica.


Informação de qualidade é uma das formas mais eficazes de combater o estigma em saúde mental. O tratamento deve ser construído com escuta, individualização e respeito.

 
 
 

Comentários


© 2025 por Dra. Caroline Andreazza

bottom of page